AGONIA (isto é um tema funky, como no baile)

April 13, 2007

Registo número nove

Toda a minha relutância não tem cabimento numa pessoa que procura estabelecer forçosamente relações. Embora não me ache o ser humano mais capaz, embora me desdobre por especulações ineficazes, considero todas as implicações que daí resultam algo me trava num género de incompetência uniforme, que se alastra pelos meus gestos quotidianos, de onde frui a minha intrínseca displicência.

Por vezes interrogo‑me sobre a falha. Serei eu? Serão os outros? Não gosto de falar de números. Mas de quando em quando é preciso perceber o que nos afecta. Esta consideração que tomo não é por me pensar afectado, mas sim por ocorrerem em mim existências simultâneas que interferem com o meu discernimento.

E em que lugar serei eu no meio do meu desentendimento? Gostava de me encarar como mera sujeição metafórica das conjecturas da minha ignorância. Já tive professores que me falaram sobre isso. Já tive experiências onde desenvolvi, acho, percepções semelhantes.

O efeito inibitório que o meu ser tem sobre mim é um facto adquirido. E a isso não posso relegar as minhas frustrações. Até porque não me julgo proibido. Veja-se, a mim, por engano, só me leva quem quiser.

March 21, 2007

Registo número oito

Julgo que a minha educação falhou de alguma forma, e que esse assinalável embuste escapa à capacidade de juízo da minha natureza. Sou por isso uma pessoa amedrontada. Não porque receie que algum desconhecido na rua me esfaqueie a troco de míseras importâncias, mas sim porque a minha lucidez é uma estranheza pouco abrangente. À imagem do meu rosto todos os outros são pouco esclarecidos. É devido a essa falta de confiança que os meus sentimentos são uma névoa de emotividades suspensas num paralelismo sempre ambíguo, desguarnecidos da clareza própria aos homens fortes.

Infelizmente nunca me considero ridículo, nem de algum modo penso que as minhas atitudes podem ser desrespeitosas, pelo que não posso, e ninguém pode, em qualquer situação, colocar a minha seriedade em causa. Não sei se estas observações abreviam-me a indolência, ou se a força da minha expressão terá suficiência redundante.

Não sou um indivíduo político, mas estou guarnecido de tal promiscuidade. Tenho a certeza de que conspiram contra mim, mas a minha fragilidade é hostil e acabarei por me tornar mártir. Tratar-se-á de mesquinhice ou decadentismo senil. Há quem no vulgo me ache a personagem trágica de um enredo extremamente óbvio. Enfim, sempre houve de tudo e para todos. Eu não vou além da minha fúnebre tristeza, do masoquismo da minha melancolia.

March 15, 2007

Registo número sete

Tenho andado menos mal nestes últimos dias. As vertigens têm sido menos frequentes e até me permiti alguns momentos de convívio social descomprometido. Já não sei porque razão surgiu esta minha dificuldade. De súbito vi-me isolado numa nostalgia deprimente e repreensível. Sempre fui uma pessoa pouco afectuosa, mesmo quando me predispus a certas intimidades. Mas não julgo ser a frieza das emoções o que me demove da empatia pelas outras pessoas. Há certas coisas que se bloqueiam à minha compreensão, ou se tornam irresolúveis com o acumular de circunstâncias nos dias mais sombrios.

Acho que não sou uma pessoa desconfiada, mas custam-me os contactos que exigem delicada educação e/ou atitudes libertárias. Eu tenho interesses. Recuso-me à entrega que determinadas relações exigem, porque nelas incorrem inúmeros factores de desvantagem.

Aquilo de que falo não é assim tão invulgar, eu próprio já constatei isso em várias ocasiões, pelo que não me posso achar invulgar. No fundo tratamo-nos todos por equivalências de igualdade, sejam elas meras suposições ou artifícios excêntricos do ego. Há quem descure o ego, há quem o faça prevalecer acima de todas as satisfações, mas no fim tudo se resolve nas inocuidades do social risível.

Se tenho andado afastado, julgo tratar-se do malabarismo da minha subsistência. O isolamento pode ser um processo de cisão, mas também uma vulnerabilidade com sintomas de ineficácia. Nunca tomei grandes decisões irreparáveis. O que me sustém continua a ser visível, e apesar de tudo, continuo a fazer telefonemas absurdos.

March 7, 2007

Registo número seis

Garanto que o meu único propósito nessa noite era acabar com a garrafa de mezcal. Não me considero um homem de grandes planos, pois o tempo inutiliza a vontade própria, mas para os pequenos fins há que ser objectivo. Embora naquela altura me sentisse um pouco obcecado, por razões sofríveis e inconstantes, quando me sentei foi para não me tornar a levantar ou para que me levassem até parte incerta.

Foi então ao sétimo copo que ela se aproximou de mim e me pediu fogo. Coloquei o isqueiro à sua frente, em cima do balcão, e disse-lhe que para além daquele artifício me sentia com vontade de incendiar várias coisas à minha volta. Ela pediu um copo ao empregado e insinuou ter a disposição para me acompanhar naquela noite. Ao servir mais uma rodada tornei claro que a queria naquele instante. Colocou a mão sobre a minha perna, perto do joelho, deslizou-a até à virilha, e disse que tinha que ser mais persuasivo. Sorriu.

Não me recordo de termos trocado quaisquer palavras excepto quando lhe disse para se voltar de costas. O dia estava soalheiro e o seu corpo enchia-me os olhos. Deixei-me ficar aos pés da cama. Julgo nunca ter executado aquele golpe com tamanha perfeição. A incisão na jugular fora exímia, nada discrepante com todo o meu trabalho anterior. Quando acabei de lhe cortar o cabelo eram duas da tarde.

Ao sair para a rua olhei fixamente as minhas mãos. Apesar de as ter lavado umas réstias de sangue permaneciam entre as unhas. Ainda me via em cima dela com a faca na mão e o precioso vermelho a espirrar contra a parede. Tenho pena de lhe não ter tirado uma fotografia. Gostava de a ter sempre comigo. Nunca algo semelhante me deixou tão afectado. Quase não consigo dormir.

March 1, 2007

Registo número cinco

Não consigo desabituar-me do vício de comprar objectos antigos. Já várias vezes me confrontei com a razão mas sempre foi debalde. É difícil compreender que o único ambiente que me favorece seja tal como um mostruário decadentista de artefactos cuja origem é duvidosa. Todas as pessoas têm um plano para ocupar o espaço à sua volta. O meu é encher o quarto de antiguidades, ou daquilo que me vendem por antiguidades.

O Doutor diz que este tipo de desordem é comum em indivíduos que cresceram em meios compulsivos. A sua manifestação é uma certa excentricidade, uma tendência para o exagero de um recalcamento subtil da mente durante a infância. Curiosamente ocorrem-me alguns exemplos que facilmente se colam a esta normalização. Mas para mim a circunstância da vivência quotidiana é mais preponderante que qualquer trauma com dezenas de anos. Todavia esse distúrbio pode ser alimentado e perdurar.

A actividade de compra de objectos em antiquários requer grande astúcia. É preciso saber fazer parte do jogo, enganar antes de ser enganado. Por isso (e não é para me gabar, mas sou um excelente executante) quando entro num antiquário demoro-me sempre um pouco a observar cuidadosamente os objectos expostos, procuro parecer meticuloso e para provocar tal efeito, quando seguro uma peça na mão recorro a um óculo que amplia a visão até quinze vezes. Da primeira vez que algum empregado se me dirige oferecendo ajuda, dispenso apaticamente os seus serviços.

Quando utilizo o óculo uma segunda vez, por vezes uma terceira, consigo finalmente a atenção do gerente. Conversamos um pouco sobre certas peças expostas, que geralmente são indicadas por mim, para que possa manter o controlo, pois percebo um pouco de metais e de forja, assim como sou entendido em alguns utensílios antigos. Alimento a conversa até que seja conveniente, até que se um ambiente de confiança.

O que sucede mais vezes, pelo meio da conversa, é o gerente interrogar-me se procuro algum artigo em particular. É aqui o momento crucial em que jogo começa a correr em meu favor. Digo que procuro, utilizando pormenores elaboradíssimos, uma certa peça de requinte que não existe. Raramente me surpreendem com um “Desconheço” ou “Infelizmente não temos.” Frequentemente acontece deixarem-me esperar um pouco e regressarem rejubilantes com qualquer coisa que não faço a mínima ideia o que seja mas que se trata daquilo que procuro. Acabo sempre por fazer um bom negócio e ás vezes consigo baixar o preço em mais de cinquenta por cento da oferta inicial.

February 22, 2007

Registo número quatro

O senhor Gonzaga sempre foi caridoso comigo ajudando-me bastante quando me empregou na sua cafetaria. Como sempre tive, desde miúdo, um certo fascínio pela profissão, embora me encontra-se na altura em dificuldades financeiras, apliquei-me ao máximo no desempenho das minhas funções e em pouco tempo me tornei o empregado mais expedito, dando primazia à cordialidade e à simpatia no contacto com o cliente.

Gradualmente o senhor Gonzaga foi-me confiando funções de maior responsabilidade. Ao fim de um mês ao serviço estava-me confiada a manutenção do armazém de bebidas espirituosas, onde tinha de lidar com a gestão do stock de licores raros que boa fama deram à casa. Ainda durante esse Inverno, o senhor Gonzaga encarregou-me da abertura e encerramento do estabelecimento aos fins-de-semana, de modo a que pudesse despender mais tempo de lazer.

Passados cinco anos sou subgerente da Cafetaria Familiar e o senhor Gonzaga passa lá muito pouco tempo, excepto na altura do pagamento de ordenados ou quando é necessário tratar de contas com os fornecedores. Todas as semanas, especialmente ao sábado e ao domingo, almoço com a sua família na casa de campo. Apraz-me bastante. Dado o importante cargo que tenho e o desempenho irrepreensível das minhas funções, sendo crucial para a expansão do negócio a outros ramos (particularmente de revendedor de produtos de pastelaria pouco comuns por aqui), o senhor Gonzaga considera-me parte da família, pois segundo ele é esse o pilar dos valores, base da confiança e da palavra entre os homens, como um código de voto moral acima do sangue ou da religião.

Conheci a sobrinha do senhor Gonzaga quando comecei a frequentar a sua casa com maior regularidade. A jovem, que tomou em sua tutela, é órfã de pai e mãe e tem um braço ligeiramente mais curto que o outro. É uma rapariga tímida bastante pálida e costuma andar com uns vestidinhos muito leves que a enternecem, e disfarçam na perfeição o problema dos braços. O senhor Gonzaga incitou-me a convidá-la para sair.

Na primeira vez que saímos fomos ao cinema e ela escolheu o filme. Chamava-se Intrigas e Paixões, dizia tratar-se de um drama romântico aclamado pela crítica. Saiu de lá lavada em lágrimas com apetites de gelado. Simplificando, o tempo que passamos juntos é de alguma forma entediante. Perde-se em discursos insólitos sobre o amor e as paixões, fala me de inúmeras histórias fatalistas sobre amantes inveterados, personagens de novelas de bolso de segunda categoria, exige-me constantes provas de afecto, arrasta-me para as suas ininteligíveis fantasias românticas, uma rede de sentimentos paradoxais da qual não me posso livrar.

Como o senhor Gonzaga diz, a família é um pilar e os homens de valores devem honrá-la. O senhor Gonzaga não tem filhos. A sua sobrinha pede-me sempre para fazermos um caminho mais longo quando regressamos do cinema, depois de assistirmos a mais um drama romântico extremamente emotivo. Nem sequer me apercebo do problema nos braços. A cafetaria é um negócio onde se pode aprender bastante. Sempre me fascinou desde miúdo.

February 13, 2007

Registo número três

A minha vizinha vive com um homem que esteve em coma três meses, devido a um violentíssimo acidente de comboio que tomou lugar numa linha ferroviária do sul, bastante noticiado na altura. O homem, seu companheiro, sofreu de uma grave lesão no sistema nervoso, razão pela qual perdeu a motricidade.

A minha vizinha tem cerca de dez gatos e sempre foi uma mulher muito elegante. Nunca tentei nada com ela, mas sempre lhe manifestei a minha simpatia, cumprimento-a todos os dias. É frequente observá-la estendendo a roupa no pequeno pátio enquanto trato dos canteiros. Desde que o seu namorado chegou que reparo na sua expressão mais pesada, parece-me até que tem emagrecido nestes últimos dias. Não digo isto porque ache que esteja a definhar com o pesado cargo que o destino da vida lhe confiou, mas porque a expressão pesada lhe dá um ar mais sério e altivo, e a magreza, sobretudo a magreza, aveluda-lhe a elegância, permitindo que lhe sobressaia uma beleza mais subtil.

A senhoria disse-me num dia em que veio cobrar a renda, que o pobre homem não tem quaisquer familiares vivos à excepção duma tia que ninguém sabe ao certo por onde anda e que pelos vistos pouco quer saber dele. Assim sendo a pobre é responsável pelo homem. Muda-lhe a fralda, lava-o, dá-lhe comida à boca. A senhoria diz que é muito triste ver uma jovem entregue a tal martírio.

Aos domingos, a minha vizinha costuma receber uns amigos no pequeno pátio, fazendo-se acompanhar do namorado para que este possa apanhar um pouco de sol. Aos domingos é o dia em que costumo podar as roseiras bravas, por isso, aproveito para ser suficientemente discreto e observá-los. O pobre homem não tem qualquer sensibilidade nos movimentos com os braços e derruba frequentemente uma chávena ou um copo, ou o que quer que se encontre sobre a mesa. Não consegue articular um discurso compreensível, apenas profere monossílabos e saliva abundantemente. As visitas não demoram muito tempo. Quando termino com as roseiras, já o pequeno pátio se encontra vazio. Por vezes a minha vizinha ainda fuma um cigarro encostada ao muro, e eu posso acenar-lhe cordialmente, ao que ela responde com um sorriso muito pouco forçado.

Uns dias atrás, a meio da semana, já depois do jantar, estava eu lendo um novo livro sobre técnicas de cultivo de plantas medicinais da América latina, a minha vizinha bateu-me à porta. Achei estranho, mas não hesitei. Abri a porta, convidei-a a entrar e perguntei-lhe em que lhe podia ser útil. Disse que estava fazendo um bolo de chocolate mas acabara-se o açúcar mascavado. Respondi não ter a certeza de que tinha tal açúcar, que teria de aguardar um pouco enquanto procurasse. Ofereci-lhe uma chávena do chá que me preparava para tomar. Perguntou-me se podia fumar e pediu-me um brandy.

Enquanto procurava pelo açúcar mascavado, a minha vizinha, que se encontrava sentada no sofá da minha sala de estar, começou a soluçar e quando cheguei perto dela chorava a lágrimas soltas. Logo não soube como agir, mas o instinto fez-me sentar a seu lado e segurar-lhe na mão dizendo-lhe algumas palavras de conforto. Ela olhou-me seriamente e atirou-se nos meus braços. A partir desse instante não mais tive controlo da situação.

No dia seguinte senti-me um pouco perturbado, o que ultrapassei facilmente ao convencer-me de que agi por caridade, e dadas as circunstâncias essa é uma justificação muito razoável. Uma coisa é certa, nos últimos tempos a minha vizinha parece-me menos infeliz. Por outro lado, bolo de chocolate é o meu preferido.

February 4, 2007

Registo número dois

Pela manhã, assim que fico sozinho em casa, a minha tarefa é organizar os vários jornais, dos quais sou assinante, por ordem de importância. Distribuo-os por quatro categorias: os mais importantes, os de alguma importância, os que não têm importância alguma e os que já duvidei mais do que uma vez em qual das outras categorias deveria ser integrado.

Depois certifico-me de que em cada categoria os jornais estão colocados por ordem de tamanho, e de que todos os vértices do lado inferior esquerdo estão em alinhamento. Quando vejo que tudo se encontra perfeitamente arrumado, ao me situar no ponto máximo de conforto que a minha cadeira permite (isto é, por exemplo, conseguir alcançar qualquer um dos jornais categorizados), abro a gaveta à qual chego com a mão direita sem o mínimo de esforço. Daí retiro, primeiro, o meu caderno de notas cor de jade, e segundo, a tesoura de liga metálica não oxidável. O caderno de notas abro-o na página devida e acomodo-o do lado direito da secretária. À tesoura, até que seja necessária, mantenho-a do lado oposto ao caderno, junto ao agrafador. Assim fico com espaço ao centro para poder folhear tranquilamente cada jornal, sem que os restantes objectos interfiram minimamente. Retiro então a caneta Parker do bolso da frente da camisa, pressiono a mola, e pouso-a no centro do caderno de notas com o alfinete que a prende à camisa voltado para cima.

O meu trabalho consiste em procurar as notícias às quais se deve dar mais destaque, podendo delas sortir um precioso conteúdo (julgo que muita informação é desprezada hoje em dia, ou então é subavaliada). Ao folhear cada jornal tomo nota no caderno de notas das notícias que acho serem as verdadeiramente importantes. Tomo nota da data, do nome do jornal, da categoria em que está inserido, da página, da secção, do título da notícia, do autor ou autores, e em três tópicos (de não mais que uma linha cada) enuncio os factos que são relatados. Ao concluir as notas, volto atrás, recorto todas as notícias que constam no caderno com a tesoura, e agrafo-as à respectiva página, de modo a não obstruir a leitura dos meus apontamentos.

O meu objectivo é daqui por vinte anos poder publicar um jornal dedicado exclusivamente às notícias do passado que foram menosprezadas. Sei que o meu método tem falhas, mas tenho vindo a introduzir pequenas alterações que começam a sortir efeito. Penso que ainda tenho muita margem de manobra. Registo pequenos progressos de dia para dia. Os sedativos não influenciam o meu desempenho.

January 25, 2007

Registo número um

O Assistente disse‑me que me devia esforçar mais, recorrer às novas tecnologias, procurar possíveis contactos. Quando olho por cima do ombro, reparo em todas as pessoas, e repito a mim mesmo o absurdo que é estarmos todos ali.

De caminho para casa vou olhando o meu reflexo nas montras. Paro para um café no local que me parece adequado. Assim que entro faço entender ao empregado o meu pedido. Sorri-o a uma senhora de meia idade de presença bastante agradável. Assim que resolvo esta situação escolho uma mesa mais recatada, sento-me e vou folheando o jornal. Esforço o meu interesse, e sou tão bem sucedido, que nem reparo que a senhora se aproxima agitando com o braço franzino, mas esbelto, a minha carteira.

Agradeço‑lhe várias vezes. Timidamente, no instante em que silenciamos os dois, convido-a a sentar-se comigo um pouco. Conversamos sobre inúmeras futilidades. Constato que vive cá à não muito mais que um mês. Explico-lhe que não é meu costume fazer isto mas, convido-a para jantar comigo. Ela acede ao meu pedido e mostra-se bastante interessada. Trocamos uns olhares intensos, e eu ponho a minha mão sobre a sua perna. Recebo uma bofetada.

Telefono ao Doutor. Escassos minutos e estou no consultório. Digo tudo e mais alguma coisa. Exprimo-lhe de qualquer forma que as pessoas deviam ser mais tolerantes e tentar compreender os outros. Ele replica, investindo contra mim no tal problema da tensão sexual. Eu repito-lhe que uma carícia na perna de uma mulher é um gesto inocente. Responde-me que o comprometimento é consequência da atitude. Devo modelar o meu comportamento de forma realista à intenção de quem me interpela. Insisto novamente na questão da tolerância, mas o Doutor quebra-me o raciocínio a meio, ao entregar‑me a receita. Fico feliz por isso.

Passo pela farmácia. Durmo descansado.

Get free blog up and running in minutes with Blogsome
Theme designed by Jay of onefinejay.com