AGONIA (isto é um tema funky, como no baile)

March 24, 2008

ah escatológica

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ah escatológica
brevidade dos pares
iluminada de censura

negação benévola
brejeira de alguidar
encobrindo a preguiça

aponta um dedo
deixa que pensem mais
ajeita a gravata limpa

aponta um dedo
mas com cuidada nobreza
que não é tempo de justiça

March 13, 2008

implodem espampanantes

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implodem espampanantes
musicalmente épicas
estas pessoas de agonia

escorre-lhes negro sangue
muito da boca ou do ânus
a leitosa matéria brilhante

quero atirar-me ao mar
ser realmente trágico
intocável na decepção

March 10, 2008

tens armas muito afinadas

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tens armas muito afinadas
não duvido que os ícones
sejam dos limpos a resistência

a tua gravata não me irrita
nem as finas roupas tão pouco
me causam espanto teus perfumes

se comiseração for o que sinto
mesmo que de forma ínfima
é pelo que arde na tua cara

esses óculos tão bem postos
o cabelo brilhante de anti caspa
a figura de falsete domesticado

March 6, 2008

oh perversa urtiga

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oh perversa urtiga
mórbido coito sequestro
relevo de minh’alma aturdida

ódio
robusto escalpe fixo
na aresta
depravada do sexo falso

serás glória
se um dia a boca limpa
for simplesmente

talvez apenas a face
envergando a pérola fina
nos restaurantes caros

March 4, 2008

oh ranço

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oh ranço
quantas cabeças costuras
à virtuosa assembleia

causas-me impasse
um algo de grito na barriga
ante palavras tão bem ditas

leva-me no teu tapete
já não importa donde vem
a merda que me dói

March 3, 2008

perco a minha dignidade

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perco a minha dignidade
ou o que os senhores chamam
aos azulejos abaulados

não me apetece verniz
iludem-me precipícios técnicos
e o soturno palavreado

que é isto aqui onde me encontro
esta arma ardente infecta
brilhante fundo nos poros

February 26, 2008

e nessa tanta inocência

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e nessa tanta inocência
passas os dedos pelo nariz
enquanto partes a garrafa
fingindo que queres sair

Amor

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Amor
não temas
é meu o sabre poderoso
e se um dia houver algo que nos falhe
mesmo essa coisa estranha
a que chamas de verdade
não temas

Amor
não temas
se tenho certeza é na lâmina
e na brandura do frio
que nos unirá depois

February 21, 2008

ninguém me encharca os lençóis

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ninguém me encharca os lençóis
não me atam forte seda ao pescoço
nenhum chicote para a minha tesão

onde estás ninfeta demoníaca
quantos prismas te afastam o olhar
que cartões compram os teus créditos

devo ter de me alistar
num exército de sociopatas cornudos
em qualquer parte do mundo

February 18, 2008

pela narina esquerda

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pela narina esquerda
sinto melhor a falsidade
no entanto é com a direita
que guio o coração aleijado 

desatino
quero deixar de cheirar
fosse a vontade um alicate
e arrancava-me pelo nariz

nem rinoplastia nem futuro
dói-me tanto a paciência
não sou feliz na escuridão
debalde a pobreza me disfarça

February 15, 2008

alicerces de cadeiras informáticas

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alicerces de cadeiras informáticas
punhais sujos de sangue
dedos calcinados de glória

 
sim amor amor
dizem merda merda merda
mas são senhores
que também se lavam
e compram nas superfícies
grandes baratas

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