tens um ar de cona impassível
tens um ar de cona impassível
dum agridoce virgem falido
nas forjas impantes do moderno
depilar a laser sem gritos
nas compras ao domingo
quando me fodes e eu acordo
nadando no teu líquido
cuspo-te a paragem de autocarro
e vou-me embora enquanto arde
no baixo ventre que te sagra
um leite espesso avinagrado
escorre pelos bordos do teu nome
um ar de cona impassível
de olhar fingido nos saldos
e no trabalho de beiços prometido
no dia da puta que pariu o Valentim
quando me falas do futuro e dos iates
cheia de merda nos cornos
pedes mais meia de planalto
e uma mousse para levar
onde quiseres que eu te lamba toda
da culpa que te fode o juízo
até ao lábio inferior onde desisto
enfiando-te dois dedos na boca
mordo-te por trás no pescoço
mordo-te e amo-te
preso de me esfregar em ti
no teu estilo ardiloso de fina
eu ponho a língua
entre o teu nome
e os lençóis encharcados de baba
abro-te com o nariz
um convite inesquecível
uma despesa absurda para pagar
os restos de um deslize na noite
