um bom pretexto
19 horas e cerca de 17 minutos, quiosque do café central na baixa da cidade que até pode ser Faro:
Senhor professor universitário de gabardina e aparelhómetro do telemóvel enfiado na orelha: Olhe desculpe menina, reparei a meio do dia, que dos jornais que aqui comprei de manhã, faltava o volume da enciclopédia ao Cê Mê e a dama do Ré Có.
Menina empregada rechonchuda e queridinha: Não sei nada disso, não estava aqui de manhã. Tenho de ver e conferir as listas da minha colega.
Senhor professor universitário com a boca seca de trezentos cigarros por fumar: Isto é uma falta de respeito! Eu estou na universidade a dar palestras o dia inteiro! Não as posso interromper e deixar as pessoas à espera para tratar destas coisas. Vocês são muito pouco profissionais. Fazem-me vir aqui depois de um dia inteiro de palestras; vou chegar atrasado ao jantar, e ainda tenho uma série de coisas para tratar no hotel.
Menina empregada, doce e coitadinha: De facto o senhor tem razão. Aqui tem o que lhe falta. Peço desculpa.
Senhor professor universitário no limite escatológico da sua existência: Vocês do Algarve são execráveis! Não admira que os turistas só cá venham no Verão. Não é este o volume da enciclopédia. O de hoje é o de “Bat a Bul”.
Até me deu vontade de pular o balcão e espancar a moça.
