fodam-se os chocos
e nessa tanta inocência
passas os dedos pelo nariz
enquanto partes a garrafa
fingindo que queres sair
Amor
não temas
é meu o sabre poderoso
e se um dia houver algo que nos falhe
mesmo essa coisa estranha
a que chamas de verdade
não temas
Amor
não temas
se tenho certeza é na lâmina
e na brandura do frio
que nos unirá depois
ninguém me encharca os lençóis
não me atam forte seda ao pescoço
nenhum chicote para a minha tesão
onde estás ninfeta demoníaca
quantos prismas te afastam o olhar
que cartões compram os teus créditos
devo ter de me alistar
num exército de sociopatas cornudos
em qualquer parte do mundo
pela narina esquerda
sinto melhor a falsidade
no entanto é com a direita
que guio o coração aleijado
desatino
quero deixar de cheirar
fosse a vontade um alicate
e arrancava-me pelo nariz
nem rinoplastia nem futuro
dói-me tanto a paciência
não sou feliz na escuridão
debalde a pobreza me disfarça
alicerces de cadeiras informáticas
punhais sujos de sangue
dedos calcinados de glória
sim amor amor
dizem merda merda merda
mas são senhores
que também se lavam
e compram nas superfícies
grandes baratas
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