Interlúdio
Oh Lídia
ferves-me no sangue
monumento de espectáculo doloroso
sacrílega vertigem do exílio social
meu ócio tédio desconcerto
abominação dos tempos
Oh Lídia
levas me no dorso alado dos cavalos cinzentos
penumbra sorumbática no estio
tua oportuna cripta secular
a lacuna opiácea dos versos
faz-me opulenta a insónia
ventura escárnia transigente
Oh Lídia
meus braços degeneram
num tempo moderno do sofrer
cultivo último na ténue instância
estrénuo ímpar entre os abutres
mordendo te a carne belicosa
E a agora firme dos antigos
renovo te pranto sequioso fado
árdua conjectura dos fins
como se olvidasse em tua cama
o pulcro esplendoroso do incesto
