Toda a minha relutância não tem cabimento numa pessoa que procura estabelecer forçosamente relações. Embora não me ache o ser humano mais capaz, embora me desdobre por especulações ineficazes, considero todas as implicações que daí resultam algo me trava num género de incompetência uniforme, que se alastra pelos meus gestos quotidianos, de onde frui a minha intrínseca displicência.
Por vezes interrogo‑me sobre a falha. Serei eu? Serão os outros? Não gosto de falar de números. Mas de quando em quando é preciso perceber o que nos afecta. Esta consideração que tomo não é por me pensar afectado, mas sim por ocorrerem em mim existências simultâneas que interferem com o meu discernimento.
E em que lugar serei eu no meio do meu desentendimento? Gostava de me encarar como mera sujeição metafórica das conjecturas da minha ignorância. Já tive professores que me falaram sobre isso. Já tive experiências onde desenvolvi, acho, percepções semelhantes.
O efeito inibitório que o meu ser tem sobre mim é um facto adquirido. E a isso não posso relegar as minhas frustrações. Até porque não me julgo proibido. Veja-se, a mim, por engano, só me leva quem quiser.