AGONIA (isto é um tema funky, como no baile)

April 23, 2007

Santuários

A melhor oferta para a semana que decorre, são santuários em miniatura dos diversos políticos arrivistas e outros capitalistas e neo-liberais que regressaram às terras da Lusitânia após prolongado exílio, aquando da queda do Estado Novo, provocada por alguns soldadinhos pé-de-chumbo, cujas armas estavam idiotamente entupidas.

April 13, 2007

Registo número nove

Toda a minha relutância não tem cabimento numa pessoa que procura estabelecer forçosamente relações. Embora não me ache o ser humano mais capaz, embora me desdobre por especulações ineficazes, considero todas as implicações que daí resultam algo me trava num género de incompetência uniforme, que se alastra pelos meus gestos quotidianos, de onde frui a minha intrínseca displicência.

Por vezes interrogo‑me sobre a falha. Serei eu? Serão os outros? Não gosto de falar de números. Mas de quando em quando é preciso perceber o que nos afecta. Esta consideração que tomo não é por me pensar afectado, mas sim por ocorrerem em mim existências simultâneas que interferem com o meu discernimento.

E em que lugar serei eu no meio do meu desentendimento? Gostava de me encarar como mera sujeição metafórica das conjecturas da minha ignorância. Já tive professores que me falaram sobre isso. Já tive experiências onde desenvolvi, acho, percepções semelhantes.

O efeito inibitório que o meu ser tem sobre mim é um facto adquirido. E a isso não posso relegar as minhas frustrações. Até porque não me julgo proibido. Veja-se, a mim, por engano, só me leva quem quiser.

Interlúdio

Filed under: Bestiário

Oh Lídia
ferves-me no sangue
monumento de espectáculo doloroso
sacrílega vertigem do exílio social
meu ócio tédio desconcerto
abominação dos tempos

Oh Lídia
levas me no dorso alado dos cavalos cinzentos
penumbra sorumbática no estio
tua oportuna cripta secular
a lacuna opiácea dos versos

faz-me opulenta a insónia
ventura escárnia transigente
Oh Lídia
meus braços degeneram
num tempo moderno do sofrer
cultivo último na ténue instância
estrénuo ímpar entre os abutres
mordendo te a carne belicosa

E a agora firme dos antigos
renovo te pranto sequioso fado
árdua conjectura dos fins
como se olvidasse em tua cama
o pulcro esplendoroso do incesto

Ismos

Para esta semana, e só porque anda por aí muita gente que se aflige, porque não sabe em que fila se deve colocar, a melhor oferta da semana são ismos, a utilizar como sufixo, consoante a incapacidade de cada um.

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