AGONIA (isto é um tema funky, como no baile)

March 15, 2007

Registo número sete

Tenho andado menos mal nestes últimos dias. As vertigens têm sido menos frequentes e até me permiti alguns momentos de convívio social descomprometido. Já não sei porque razão surgiu esta minha dificuldade. De súbito vi-me isolado numa nostalgia deprimente e repreensível. Sempre fui uma pessoa pouco afectuosa, mesmo quando me predispus a certas intimidades. Mas não julgo ser a frieza das emoções o que me demove da empatia pelas outras pessoas. Há certas coisas que se bloqueiam à minha compreensão, ou se tornam irresolúveis com o acumular de circunstâncias nos dias mais sombrios.

Acho que não sou uma pessoa desconfiada, mas custam-me os contactos que exigem delicada educação e/ou atitudes libertárias. Eu tenho interesses. Recuso-me à entrega que determinadas relações exigem, porque nelas incorrem inúmeros factores de desvantagem.

Aquilo de que falo não é assim tão invulgar, eu próprio já constatei isso em várias ocasiões, pelo que não me posso achar invulgar. No fundo tratamo-nos todos por equivalências de igualdade, sejam elas meras suposições ou artifícios excêntricos do ego. Há quem descure o ego, há quem o faça prevalecer acima de todas as satisfações, mas no fim tudo se resolve nas inocuidades do social risível.

Se tenho andado afastado, julgo tratar-se do malabarismo da minha subsistência. O isolamento pode ser um processo de cisão, mas também uma vulnerabilidade com sintomas de ineficácia. Nunca tomei grandes decisões irreparáveis. O que me sustém continua a ser visível, e apesar de tudo, continuo a fazer telefonemas absurdos.

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