AGONIA (isto é um tema funky, como no baile)

January 31, 2007

Naturezas Mortas/Objecto dois

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vives num estado decrépito

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vives num estado decrépito

largas asco espesso

a tua mente apodrece

infecto teu ventre é infértil

 

ofendes os deuses antigos

olha como te afogas no lixo

segregas infeliz páginas de tédio

provocas repulsa só de te mostrares

 

Se ainda escutas escreve

sangue no teu diário

e lembra-te_se acordares

firme coloca as mãos na cabeça

torce com cuidado e devagar

January 30, 2007

Naturezas Mortas/Objecto um

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January 29, 2007

Isqueiros

Esta é a melhor oferta disponível da semana: uma colecção de dez isqueiros, em osso de mamute, da SG Ventil, com representações de jovens felizes das várias maneiras possíveis(edição limitada).

January 27, 2007

Funesta orquídea

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Funesta orquídea

a tua língua é bífida

entre todos os mortos

 

Circunscreves um jardim obsoleto

narcótico poderoso

cujo intenso ácido envenena

 


Fogo total te rasga

imenso mármore te esconde

no abismo do lodo

respiras escafandro

cada instante de pálpebras estáticas

numa onda do teu sono

January 25, 2007

Registo número um

O Assistente disse‑me que me devia esforçar mais, recorrer às novas tecnologias, procurar possíveis contactos. Quando olho por cima do ombro, reparo em todas as pessoas, e repito a mim mesmo o absurdo que é estarmos todos ali.

De caminho para casa vou olhando o meu reflexo nas montras. Paro para um café no local que me parece adequado. Assim que entro faço entender ao empregado o meu pedido. Sorri-o a uma senhora de meia idade de presença bastante agradável. Assim que resolvo esta situação escolho uma mesa mais recatada, sento-me e vou folheando o jornal. Esforço o meu interesse, e sou tão bem sucedido, que nem reparo que a senhora se aproxima agitando com o braço franzino, mas esbelto, a minha carteira.

Agradeço‑lhe várias vezes. Timidamente, no instante em que silenciamos os dois, convido-a a sentar-se comigo um pouco. Conversamos sobre inúmeras futilidades. Constato que vive cá à não muito mais que um mês. Explico-lhe que não é meu costume fazer isto mas, convido-a para jantar comigo. Ela acede ao meu pedido e mostra-se bastante interessada. Trocamos uns olhares intensos, e eu ponho a minha mão sobre a sua perna. Recebo uma bofetada.

Telefono ao Doutor. Escassos minutos e estou no consultório. Digo tudo e mais alguma coisa. Exprimo-lhe de qualquer forma que as pessoas deviam ser mais tolerantes e tentar compreender os outros. Ele replica, investindo contra mim no tal problema da tensão sexual. Eu repito-lhe que uma carícia na perna de uma mulher é um gesto inocente. Responde-me que o comprometimento é consequência da atitude. Devo modelar o meu comportamento de forma realista à intenção de quem me interpela. Insisto novamente na questão da tolerância, mas o Doutor quebra-me o raciocínio a meio, ao entregar‑me a receita. Fico feliz por isso.

Passo pela farmácia. Durmo descansado.

Olha para mim Lídia

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Olha para mim Lídia

supostamente um nome

lacrando os objectos

 

Olha para mim Lídia

um cordel de prumo

o mais alto dos templos

 

Olha para mim Lídia

um sinal binário

ao toque dos teus dedos

 

Olha para mim Lídia

que escrevo com tanta dor

todos os meus medos

 

Olha para mim Lídia

distúrbio romântico

do êxtase dos tempos

 

Olha para mim Lídia

toda esta inconsequência

toda esta falta de charme

January 24, 2007

Tens um hálito de estátuas antigas

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Tens um hálito de estátuas antigas

vou arrancar‑te o coração cortar‑te as mãos

guardar‑te desprezo por mil anos

 

Vê o teu trágico aspecto

a baba insultuosa escorre da tua boca

quando fendes secretamente

 

Agora volta‑te dá‑me o teu dorso

talvez acenda um animal de luz

que te satisfaça a pressa

Segundo estudo sobre dinâmica

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January 22, 2007

Viciadas estalactites

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Viciadas estalactites

sangram teu corpo

de néon doloroso

 

magnífico requinte

o subtil intenso

impacto do couro

 

E desse punho de chicote

estalando contra o vidro

o ruído que nos cerca

a caverna o frio

Areia

A melhor oferta desta semana é uma garrafinha de água do caramulo, 0,33 centilitros, com areia do preciso local onde Rimbaud foi engolido pelas dunas.

Primeiro estudo sobre dinâmica

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January 15, 2007

Lídia

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Revólver

A melhor oferta da semana é o revólver com que Orson Welles "matou" Rita Hayworth, na derradeira cena do filme "A Dama de Xangai", o culminar de um fabuloso jogo de espelhos.

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